Segundo o estudo internacional ISAAC, aplicado também no Brasil, entre 12,6% e 29,6% das crianças brasileiras apresentam sintomas de rinite alérgica, dependendo do critério usado na pesquisa — uma das condições alérgicas mais comuns da infância. Apesar disso, é frequentemente confundida com resfriado comum, o que atrasa o diagnóstico correto.
Este guia explica o que é rinite alérgica, como diferenciá-la de um resfriado, os sintomas típicos, sua relação com asma e dermatite atópica, e como diagnóstico e tratamento são conduzidos.
O que é rinite alérgica
Rinite alérgica é uma inflamação da mucosa nasal causada pela exposição a alérgenos que, após sensibilização do sistema imunológico, desencadeiam uma resposta mediada por imunoglobulina E (IgE). Os gatilhos mais comuns são ácaros de poeira, pólen, pelos de animais e mofo. É uma doença crônica, não contagiosa, com componente hereditário reconhecido.
A reação acontece em duas fases: uma imediata, minutos após o contato com o alérgeno, com liberação de histamina; e uma fase tardia, que pode aparecer de 4 a 8 horas depois.
Rinite alérgica x resfriado comum: como diferenciar
Rinite alérgica não causa febre e não é contagiosa — o resfriado é uma infecção viral (o rinovírus responde por cerca de metade dos casos) e se espalha entre pessoas. Outro ponto de diferença: os sintomas da rinite aparecem em contato com o alérgeno específico — poeira, mudança de temperatura, contato com animais — e tendem a se repetir nas mesmas situações, enquanto o resfriado costuma vir acompanhado de mal-estar geral e evolui em dias, associado a outras pessoas resfriadas no convívio da criança.
Na dúvida, o padrão de repetição é o maior sinal de alerta: uma criança que espirra e fica com o nariz entupido sempre nas mesmas situações (limpeza da casa, contato com bichos de pelúcia antigos, mudança de estação) tem mais chance de rinite do que de uma sequência de resfriados coincidentes.
Sintomas e sinais físicos característicos
Os sintomas clássicos da rinite alérgica são espirros em crise, coriza clara, obstrução nasal e coceira no nariz, olhos, ouvidos ou garganta — mais evidentes a partir dos 4-5 anos de idade. Além dos sintomas, existem sinais físicos que ajudam a reconhecer a condição: a “saudação alérgica”, quando a criança esfrega o nariz para cima com a palma da mão repetidamente (criando uma prega visível no dorso nasal), e as chamadas “olheiras alérgicas”, um escurecimento ao redor dos olhos causado por estase venosa.
Rinite, asma e dermatite atópica: a marcha atópica
Rinite alérgica raramente aparece isolada. Existe uma sequência típica de manifestações alérgicas ao longo da infância, conhecida como marcha atópica: dermatite atópica costuma aparecer primeiro, ainda no 1º ano de vida, seguida por asma e, mais tarde, rinite alérgica em crianças maiores. Entre 20% e 30% das crianças com dermatite atópica desenvolvem outras manifestações alérgicas ao longo da vida.
Reconhecer essa relação importa na prática: uma criança com histórico de dermatite atópica ou asma tem mais razão para investigar rinite alérgica diante de sintomas nasais persistentes, em vez de assumir que é só mais um resfriado.
Diagnóstico
O diagnóstico começa pela história clínica — padrão dos sintomas, gatilhos, frequência — e pode ser complementado por teste cutâneo (prick test) e dosagem de IgE específica, que com uma pequena amostra de sangue permite investigar diversos alérgenos de uma vez. O documento de referência mais atual no Brasil é o V Consenso Brasileiro sobre Rinites (2024), elaborado em conjunto pela ASBAI, SBP e ABORL-CCF.
Tratamento e controle ambiental
O controle ambiental é considerado a medida mais importante para reduzir os sintomas: usar capa impermeável em colchão e travesseiro, retirar tapetes e cortinas que acumulam ácaros, e manter o ambiente arejado e iluminado. Quando o controle ambiental não é suficiente, existem classes de medicamento que o médico pode indicar conforme o caso — corticoide nasal tópico costuma ser a primeira escolha nas formas persistentes, e anti-histamínicos de 2ª geração (não sedantes) são preferidos aos mais antigos. A definição de dose e produto é sempre individualizada, feita em consulta.
Perguntas Frequentes
Rinite alérgica dá febre?
Rinite alérgica é contagiosa?
Quais são os principais gatilhos da rinite alérgica infantil?
Criança com dermatite atópica tem mais risco de rinite?
Como é feito o diagnóstico de rinite alérgica?
O que mais ajuda a controlar a rinite alérgica em casa?
Conclusão
Rinite alérgica infantil é comum, tratável e, na maioria das vezes, confundida com resfriado por falta de informação sobre suas diferenças. Reconhecer o padrão de repetição dos sintomas, entender a relação com outras condições alérgicas como asma e dermatite atópica, e buscar diagnóstico correto fazem a diferença no controle a longo prazo. Conhecer o acompanhamento em Alergia e Imunologia oferecido pela Dra. Camila Lacerda ajuda a esclarecer se o que a criança apresenta é rinite, outra condição alérgica, ou uma combinação delas.





